A ansiedade na prova de Residência Médica

21 de agosto, 2020
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Por Dra. Licia de Oliveira

 

ansiedade é inerente a todos os indivíduos e pode ser experimentada em situações do cotidiano, como em entrevistas de emprego, durante o isolamento social, nos preparativos para alguma viagem ou mesmo para uma prova importante. Porém, alguns indivíduos ficam mais ansiosos do que o normal e essa intensidade da ansiedade pode ser considerada patológica e comprometer a saúde mental. Pensando na importância do tema, e no contexto que estamos vivendo de uma pandemia, separamos algumas dicas sobre o tema  ansiedade e como costumam aparecer essas questões na sua prova de Residência Médica.

 

  1. O que é ansiedade?

A Ansiedade é uma resposta natural do corpo ao estresse e à expectativa. É importante frisar que ela nem sempre é patológica e, em seu estado normal, pode até ser saudável e capaz de estimular o indivíduo a realizar projetos. O problema está na sua intensidade, ou seja, quando a tensão, os pensamentos negativos e a preocupação exacerbada acabam por tirar a pessoa do foco e prejudica suas atividades cotidianas.

 

Outro sinal de alerta para quando a ansiedade se torna patológica acontece quando o paciente tem dificuldade para dormir bem ou se alimentar. A linha que divide a ansiedade normal da patológica, de acordo com a Dra. Licia de Oliveira, psiquiatra e professora no Medcel, é o transtorno de ajustamento.

 

  1. Transtorno de ajustamento

Esse transtorno de ajustamento acontece quando o indivíduo passa por alguma mudança na sua vida, que seja muito impactante. Por exemplo, em tempos de pandemia algumas pessoas podem ficar mais ansiosas com o isolamento social ou com medo do futuro. A incerteza, neste contexto, pode causar algum desconforto e desencadear uma “crise” de ansiedade ou mesmo uma depressão.

 

O transtorno de ajustamento evolui com os sinais e sintomas de ansiedade, insônia, agitação, nervosismo, irritabilidade. Mas, em geral, tende a se resolver em até duas semanas. Por isso, é importante ficar atento na hora do atendimento com o relato do paciente sobre há quanto tempo ele está sentindo os sintomas e, claro, se passou por alguma mudança recente.

 

  1. Os tipos de transtorno de ansiedade mais comuns

Quando a ansiedade evolui para uma questão patológica, ela pode ser chamada de transtorno de ansiedade. Existem alguns tipos e, a seguir, apresentamos os mais comuns. Segundo a Dra. Licia de Oliveira, estes são os que costumam cair mais frequentemente na prova de Residência Médica.

 

Transtorno de ansiedade generalizada

Quando o paciente sente ansiedade de forma intensa, atrapalhando suas atividades rotineiras. Antigamente, de acordo com  a Dra. Licia de Oliveira, o tempo mínimo de sintomas para chegar a esse diagnóstico era de seis meses. Hoje, esse critério diminuiu para um mês. Outros sintomas associados são:

 

  • Ansiedade elevada por várias semanas;
  • Irritabilidade;
  • Estresse;
  • Insônia;
  • Dificuldade de concentração e alteração da memória.

 

Transtorno de estresse pós-traumático

Já o  transtorno de estresse pós-traumático é diagnosticado a partir de um trauma que o paciente viveu ou presenciou. Alguns exemplos são situações de acidentes, violência, doença e internações. O paciente, então, passa a evitar eventos que o lembrem do trauma e ele começa a ter pesadelos baseados neste acontecimento.

 

Transtorno do pânico

Enquanto a ansiedade generalizada acomete a maior parte dos dias, o pânico evoluiu em picos. A pessoa está com o nível de ansiedade normal e, de repente, tem um pico enorme de ansiedade. Durante a pandemia de COVID-19, muitos pacientes com transtorno de pânico têm ido até o pronto-socorro, especialmente por conta da falta de ar, que é um dos sintomas do Coronavírus.

 

Os sintomas associados do transtorno do pânico são:

 

  • Falta de ar, sudorese e taquicardia;
  • Despersonalização: quando o indivíduo sente que não está dentro dele mesmo;
  • Desrealização: é quando o indivíduo não se sente inserido no mundo.

 

Diagnóstico de transtorno de pânico:

Por meio de um eletrocardiograma e um exame de enzimas, o médico conclui que não se trata de um evento cardiovascular. É normal que esse paciente chegue ao consultório do psiquiatra com diversos exames e histórico de várias entradas no pronto-socorro.

 

As diferenças entre os transtornos

Esta é uma questão que costuma cair recorrentemente nas provas e vale destacar que a principal diferença entre ansiedade generalizada e o pânico é que na ansiedade generalizada o paciente tem um platô. Ele pode ficar meses com a ansiedade elevada. O pânico, no entanto, evolui em picos. Já entre o pânico e o estresse pós-traumático a diferença está, justamente, na vivência do trauma e na revivescência do fato.

 

  1. Transtorno Obsessivo Compulsivo

A pandemia de Coronavírus traz à tona também outro assunto: o TOC, ou Transtorno Obsessivo Compulsivo. Trata-se de um transtorno no qual o indivíduo tem dois grandes sintomas: obsessões e compulsões.

 

  • Obsessões: são pensamentos que não saem da cabeça, são impulsos ou imagens persistentes e indesejadas.
  • Compulsões: comportamentos repetitivos, muitas vezes em que, a pessoa se sente compelida a executar, em resposta à obsessão.

 

A Dra. Licia de Oliveira alerta, porém, que a obsessão se trata de um pensamento, e não uma voz.  Pergunte ao paciente de onde vem o pensamento. Se entra pelo ouvido, é uma voz e pode indicar um quadro de alucinação auditiva; se vem de dentro da cabeça, é um pensamento, o que acontece com o TOC.

 

Alguns dos principais sintomas:

 

  • Preocupação excessiva com limpeza. A pessoa tem medo de germes ou contaminação e, por isso, lava as mãos excessivamente;
  • Organizar objetos de forma simétrica e manter tudo em uma ordem perfeita;
  • Conferir a mesma coisa diversas vezes, como portas, janelas e tomadas antes de sair de casa ou dormir.
  • Pensamentos agressivos, proibidos ou indesejados.

 

  1. O tratamento de doenças associadas com ansiedade

Para todas essas condições, com exceção do transtorno de ajustamento, o tratamento é feito com antidepressivos. De acordo com a Dra. Licia de Oliveira, estes medicamentos melhoram quadros de humor deprimido e, também, transtornos de ansiedade.

 

Antidepressivos

A recomendação da Dra. em relação aos medicamentos antidepressivo são:

 

  • Tricíclico (que deve ser evitado para cardiopatas, idosos ou pacientes com muitas comorbidades);
  • Amitriptilina;
  • Nortriptilina;
  • Imipramina;

 

Atualmente, a escolha é por pelo menos um inibidor seletivo da captação de serotonina, como Fluoxetina, Sertralina, Citalopram, Escitalopram ou Paroxetina. Outros antidepressivos que podem ser usados são os duais, como Venlafaxina, Duloxetina, ou até um multimodal como o Brintellix.

 

Paroxetina

Desses, o mais efetivo para ansiedade, por se tratar de um inibidor seletivo mais “pesado”, é a Paroxetina. Em contrapartida, ele é o que mais tem efeitos colaterais, como ganho de peso, sonolência e problemas na esfera sexual. No caso de pacientes com ejaculação precoce, insônia ou que emagreceu com a ansiedade, a Paroxetina é uma boa alternativa.

 

Benzodiazepínicos

É uma droga que melhora o quadro na hora, mas não a longo prazo. É um medicamento que predispõe dependência, com abstinência e tolerância. Por conta disso, os transtornos de ansiedade não devem ser tratados com Benzodiazepínico, mas sim, com antidepressivo. Ele pode ser receitado apenas para oferecer um alívio imediato ao paciente, pois os antidepressivos demoram de uma a duas semanas para fazer o efeito esperado.

 

Importante!

É importante orientar o paciente para o fato que o antidepressivo demora cerca de 15 dias para fazer efeito. Por conta desse tempo, o paciente tem a tendência de abandonar o tratamento. A Dra. Licia de Oliveira sugere que o médico sempre compartilhe a conduta com o paciente e entenda se ele está disposto a fazer o tratamento. Pois, segundo ela, metade dos pacientes não seguem a prescrição como é indicada pelo médico. Recomenda-se também que o tratamento seja feito por, pelo menos, um ano para que o paciente não tenha recaída. Dessa forma, é essencial deixar claro para o paciente que, mesmo que ele sinta melhoras, ele deve manter a medicação por mais tempo.

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