Como criar uma boa relação entre preceptor e residente

27 de outubro, 2020
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Por Dr. Carlos Eduardo Carlomagno

 

A figura do preceptor é essencial para a dinâmica dos hospitais-escolas. No meu caso, foi certamente uma das experiências mais satisfatórias que tive ao longo da minha trajetória. Mas, para mim, não era necessário ter o título de preceptor para me dedicar a ensinar internos e residentes. Bastava ter vocação para ensinar.

 

Ao longo de toda a residência de pediatria e neonatologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sempre gostei de encontrar momentos didáticos com internos e residentes de menor graduação (R menos). Bastavam 15 minutos, um pedaço de papel e disposição em transmitir algum conhecimento que ajudasse a compreender e internalizar algum conceito sobre algum caso que estivéssemos cuidando no hospital.

 

Vale aqui ressaltar que ao longo dos meus anos de Internato e Residência médica encontrei diversos residentes mais graduados (R mais) que tiveram o mesmo cuidado e atenção comigo. E a eles transmito a minha eterna gratidão.

 

Assim que concluí o último ano de residência médica em Neonatologia tive a oportunidade de trabalhar por quase um ano no Hospital Geral de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Na época ainda não tinham residência em Neonatologia, e novamente mesmo sem o título de preceptor, me dediquei a dar aulas teóricas para os residentes de pediatria sobre os temas mais relevantes da neonatologia. Tenho certeza que os residentes aprenderam bastante, mas acredito que tenha sido eu quem mais aprendeu. Inclusive me ajudou muito a estudar para o Título de Especialista em Neonatologia, que defendi durante essa experiência.

 

Logo em seguida retornei a São Paulo, onde finalmente trabalhei por pouco mais de um ano como preceptor de neonatologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Compartilho agora o que aprendi ao longo dessa experiência.

 

Importância do preceptor na Residência

O preceptor é responsável por transmitir a internos e residentes conhecimentos teóricos, habilidades práticas e comportamentais.

 

Embora possa auxiliar no cuidado assistencial, seu principal foco é garantir que “seus alunos” sejam expostos aos conhecimentos médicos atualizados. Deve também discutir os casos disponíveis na assistência, aproximando os conhecimentos teóricos com a prática médica.

 

Em muitas ocasiões, o preceptor também é responsável por auxiliar o residente e interno a realizarem procedimentos sob a devida supervisão. Além disso, o preceptor os apoia durante as interações com pacientes e seus responsáveis, ajudando-os a melhorarem suas habilidades a beira leito e relação médico-paciente.

 

Uma das suas principais atribuições é atuar como uma rede de apoio para internos e residentes durante esses atarefados anos, fortalecendo o vínculo com a instituição, colegas e equipe multiprofissional.

 

Ao se tornar um modelo a seguir de “seus alunos”, o preceptor deve se lembrar constantemente que lidera através do bom exemplo, mantendo congruência entre o que fala e o que faz.

 

O que o preceptor espera do residente

– Comprometimento: com a instituição, pacientes e tarefas (sejam elas burocráticas ou assistenciais – existe aprendizado em ambas);

– interesse: questione, pergunte, mostre-se curioso;

– estudem: sim, é fato que o internato e a residência são momentos cansativos, mas espera-se que ainda assim encontrem momentos para estudar;

– evolução: demonstrar com o passar dos dias, semanas e meses, amadurecimento e ganho de conhecimento

 

O que o residente espera do preceptor

– Conhecimento: o preceptor é detentor de grande conhecimento (teórico, prático e das rotinas hospitalares) e os residentes desejam ter acesso a todos eles;

– didática: é fundamental que o preceptor saiba transmitir conhecimentos de forma clara;

– disposição: dentro e fora do horário da residência; é muito comum que o preceptor ajude seus residentes com dúvidas mesmo depois de concluída a residência;

– aliado: mesmo que o residente receba uma bronca do preceptor, sabe que conta com um ombro amigo para que possa conversar sobre os seus problemas e dificuldades.

 

Não é atoa que a preceptoria seja parte fundamental dos programas de residência. Sua marca mantém-se indelével durante toda a formação do médico em treinamento. Em particular, fico muito feliz por ter tido essa trajetória, que continuo agora transmitindo conhecimentos como professor da Medcel.

 

O Prof. Dr. Carlos Eduardo Carlomagno tem mestrado pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEPAE), título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Residência Médica em Neonatologia e em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Além de diploma revalidado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e graduação em Medicina pela Universidad de Monterrey, México. É plantonista do Hospital Israelita Albert Einstein, atende em consultório particular no ConsultaPed e é professor da Medcel.

 

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