Insuficiência Renal: entenda mais detalhes da doença e o tratamento indicado

08 de dezembro, 2020
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No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 13 milhões de pessoas sofrem de algum distúrbio renal em algum grau.

 

A insuficiência renal foi uma das doenças abordadas no sexto episódio da segunda temporada da série Residência Médica, da Medcel. A partir do caso do Matheus é possível entender mais sobre a doença e seu diagnóstico. A seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre a doença e o caso clínico abordado na série. Para conferir o episódio e todos os materiais complementares, é só clicar aqui.

 

Caso clínico

A mãe do Matheus, uma criança de cerca de 5 anos, procurou atendimento, pois o filho estava com diarreia e vômito. Por conta disso, o tratamento indicado foi soro de reidratação oral por conta do quadro de desidratação confirmado pelos sinais clínicos observados no paciente.

 

Cerca de uma semana depois, no entanto, ela voltou com o filho ao hospital. Ele tinha novos sintomas: olho “inchado”, prostração e estava sem urinar há algumas horas.

 

Matheus foi encaminhado para realizar os seguintes exames:  hemograma completo + plaquetas, função renal (ureia e creatinina).

 

Os resultados dos exames indicaram:

 

-Hemoglobina de 7g/dL (hematoscopia revelou esquizócitos)
-Plaquetas: 80.000/mm³
-Escórias renais elevadas

 

Foi feito o diagnóstico de Síndrome Hemolítico Urêmica (SHU), caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal.

 

Etiologia 

A forma mais comum da SHU é causada pela Escherichia Coli Produtora de Shiga Toxina (STEC).

 

Vários sorotipos da Ecoli podem produzir a toxina, sendo o sorotipo O157:H7 o mais comum na Europa e nas Américas.

 

O reservatório da STEC é o intestino de animais domésticos com destaque para as vacas. A doença é transmitida pela ingestão de carne mal cozida ou leite cru (não pasteurizado).

 

Uma forma rara de SHU desencadeada por infecção é associada a um quadro de pneumonia pneumocócica com empiema, sendo esse pneumococo produtor de uma neuraminidase.

 

Formas genéticas (atípicas, não diarreicas) de SHU são responsáveis pela segunda maior categoria da doença. São defeitos inatos onde há deficiência da protease que quebra o fator de Von Willebrand (ADAMTS 13) ou deficiência de complemento (fator H, I ou B).

 

Fisiopatologia 

Na SHU, a lesão endotelial arteriolar e capilar nos rins leva à trombose localizada na região do glomérulo. O quadro evolui com diminuição da capacidade de filtração glomerular, agregação plaquetária local com trombocitopenia de consumo e lesão mecânica das hemácias (anemia hemolítica microangiopática) quando essas passam pela microvasculatura lesionada e trombótica. Nesses casos, o teste de Coombs direto é negativo.

 

Por outro lado, na SHU associada ao pneumococo, a existência da neuraminidase provoca lesão da membrana das hemácias com exposição de antígenos que serão reconhecidos por IgM, o que leva a uma hemólise anticorpo mediada (com Coombs direto positivo).

 

Manifestações clínicas

-Início cerca de 1 semana após um quadro de gastroenterite.
-Palidez, insuficiência renal de instalação rápida e trombocitopenia nos levam a pensar no diagnóstico.
-A anemia é hemolítica microangiopática, sendo observados esquizócitos à hematoscopia.
-A baixa contagem de plaquetas costuma ficar entre 20.000 e 100.000/mm³.

 

Tratamento da insuficiência renal

Cerca de 50% dos pacientes precisarão de diálise no tratamento imediato. O tempo médio de necessidade de diálise é de 2 semanas.

 

Além disso, em torno de 5% dos pacientes podem permanecer dependentes de diálise, porém a função renal recupera-se completamente na maior parte dos pacientes.

 

Questão de prova: insuficiência renal/SHU 

A Síndrome Hemolítico Urêmica é tema recorrente da prova de Residência Médica. De acordo com o Dr. Vinícius Moreira, pediatra, a abordagem costuma ser bem parecida com o caso apresentado nesse episódio da série: criança com diarreia que evoluiu para insuficiência renal.

 

A questão pode ser abordada de duas formas. A primeira é sobre o diagnóstico. A dica é buscar no enunciado se o paciente tem anemia, queda da contagem de plaquetas e insuficiência renal aguda com história quadro de diarreia prévio, em geral, há uma semana. Nesse caso, enquadra-se como Síndrome Hemolítico Urêmica.

 

A segunda abordagem pode ser em relação ao agente responsável provável. Nesse caso, a resposta correta é Escherichia coli O157:H7, produtora da Shiga toxina.

 

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