Manobra de Kocher - o que é? quando é indicada?

Manobra de Kocher: o que é?

27 de julho, 2018
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Alguns epônimos são clássicos e tradicionais na Medicina, dentre eles a tradicional manobra de Kocher, que deve estar no repertório de qualquer cirurgião que atue na área abdominal. Mas, afinal, o que é manobra de Kocher e para que ela serve?

Definição

Definição clássica da Manobra de Kocher: é a mobilização cirúrgica medial do duodeno dando acesso ao retroperitônio. Parece complicado, porém é muito simples desde que se conheçam as características anatômicas dos quadrantes abdominais. Nesse caso, o quadrante superior direito, onde se encontra o setor duodeno-biliopancreático. O duodeno tem forma de C, com a convexidade voltada para a lateral do abdome à direita, onde, na segunda porção, insere-se o ligamento hepatoduodenal, que contém a via biliar principal, que é sede de vários procedimentos cirúrgicos, dentre eles a coledocotomia. Na sua concavidade, localiza-se a cabeça pancreática.

Com base nesses conceitos, fica fácil entender, pois a Manobra de Kocher é simplesmente a secção dos tecidos areolares que fixam a face convexa do duodeno ao retroperitônio, possibilitando a mobilização medial do duodeno e consequentemente da cabeça pancreática.

Master of Surgery

É uma manobra cirúrgica indispensável quando o cirurgião necessita abordar o retroperitônio superior direito, dando acesso ao rim e ao pedículo renal, além da veia cava inferior. Ressaltamos que o célebre autor Lloyd Nyhus, em sua clássica publicação Master of Surgery, considera a Manobra de Kocher eficiente se 7cm de veia cava inferior puderem ser visualizados.

Implicação Prática

Explanado o conceito de Manobra de Kocher, como ela pode ser realizada e a base anatômica que possibilita sua execução, é importante fazer a correlação da sua implicação prática. As principais indicações são: inspeção do duodeno posterior como, por exemplo, em casos de trauma; necessidade de exploração e ação cirúrgica na cabeça pancreática; instrumentalização da via biliar principal, como para a realização de papilotomia transduodenal, coledocotomias ou anastomoses biliodigestivas; acesso ao retroperitônio onde estão a veia cava inferior, o pedículo renal direito e a veia porta; necessidade de mobilização do estômago para substituição do esôfago após esofagectomias etc.

Como percebemos, não há como abordar a cavidade abdominal e também o retroperitônio sem conhecer esse princípio técnico, que deve fazer parte do arsenal profissional de todo bom cirurgião abdominal.

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Texto escrito pelo nosso Professor João Ricardo - Cirurgia Geral.

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