“Os 10 legados da COVID-19 para medicina” e a ligação com evolução tecnológica

17 de julho, 2020
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A pandemia pelo COVID-19 afetou todos os setores da sociedade e economia, e na cadeia de saúde provocou profundas transformações que devem ser irreversíveis e definirem o novo normal.

Entre estas transformações, temos muitas associadas à tecnologia, mas outras que compreendem mudanças comportamentais que já eram temas discutidas há alguns anos na medicina e que agora estão sendo implementadas e valorizadas como nunca:

  1. Telemedicina

O termo se aplica a uma ampla gama de atividades. Entre estas atividades, estão a teleconsulta e telediagnóstico, que previamente não eram permitidos no Brasil e que, agora, durante a pandemia, foram permitidos. A despeito do caráter provisório, a grande maioria dos especialistas acredita que esta liberação será perene.

Ainda dentro do termo telemedicina estão o telemonitoramento e telereabilitação, que já demonstraram diminuição de hospitalização e melhora de casos crônicos.

  1. Empoderamento dos pacientes

O maior determinante da saúde de um indivíduo é a busca de um estilo de vida saudável (fonte: Laura K. Brennan Ramirez, PhD, MPH, Elizabeth A. Baker, PhD, MPH, and Marilyn Metzler, RN, Promoting Health Equity: A Resource to Help Communities Address Social Determinants of Health (Centers for Disease Control and Prevention, 2008). Este fato é conhecido há muitos anos, mas nunca teve tanta credibilidade quanto agora no enfrentamento da COVID19. Os pacientes precisam assumir seu papel ativo no plano terapêutico e acesso a fontes de educação em saúde. Vale o paralelo que a lei da telemedicina aponta o uso da ferramenta para a finalidade de educação em saúde.

  1. Mobile Health

O uso de sensores está auxiliando o monitoramento de pacientes em suas casas e unem os 2 conceitos anteriores (telemedicina e empoderamento) pois auxiliam os pacientes a executarem o autocuidado. O principal papel dos sensores é a captação de dados para acompanhamento de doenças crônicas e ajudar o paciente a atingir as metas terapêuticas.

  1. Overdiagnosis ou prevenção quaternária

O termo, em inglês, poderia ser traduzido como “sobrediagnóstico” ou diagnósticos exagerados e sem benefício comprovado para os pacientes. Já o termo prevenção quaternária significa evitar exames, medicamentos ou procedimentos desnecessários. Existe um movimento mundial, que também existe no Brasil, chamado Choose Wisely que lista uma séria de ações na medicina que não agregam valor comprovado no paciente.

Comparecer na consulta médica ou laboratório ou hospital sem indicação configuraria uma condição em que o risco possa ser maior que o benefício. Exatamente esta situação que a telemedicina procurou evitar e estamos vivendo uma busca ao lean healthcare ou medicina enxuta e focada naquilo que comprovadamente gera valor para o paciente.

  1. Data Analytics

Data analytics tem o poder de auxiliar a decisão em todos os campos da medicina. Podem acompanhar os planos terapêuticos e dar suporte às decisões clínicas assim como auxiliar nas pesquisas sobre novos medicamentos, vacinas e toma de decisões no campo de gestão da saúde.

A técnica de machine learning funciona como uma verdadeira máquina de predição estatística diante de situações complexas, o que é extremamente importante no cenário que vivemos na pandemia. O COVID19 causou uma mudança extremamente complexa do cenário da cadeia de saúde. E é exatamente neste contexto que data analytics e inteligência artificial podem oferecer uma grande ajuda e sua utilização já aumentou e será uma tendência crescente.

  1. Realidade Virtual

O grande papel deste recurso tecnológico está no campo de educação e treinamento. Escolas de medicina em todo mundo precisaram restringir o contato dos alunos e médicos em especialização com pacientes. E é neste cenário que entra este recurso tecnológico. Um estudo de Harvard mostrou que o treinamento com RV melhorou em 230% a performance de médicos cirurgiões em treinamento. É muito usado em simulações de casos médicos.

  1. Impressão 3D

A pandemia de COVID-19 criou uma crise de logística na cadeia de saúde. Muitos prestadores como clínicas, hospitais e laboratórios estão em posição de risco devido ao grau de dependência de fornecedores, que estão sofrendo fortemente com a crise.

A impressão 3D de um número cada vez maior de dispositivos usados na prestação da assistência pode mitigar este risco provendo acesso imediato a dispositivos como face shields até peças usadas nos ventiladores mecânicos, por exemplo.

  1. Smartphone tracking

70% da população do Brasil tem acesso a um smartphone e a utilização de todas as funcionalidades deste equipamento consegue gerar inúmeras informações valiosíssimas. Estas informações surgem com o uso dos Apps que todos estamos habituados ou sites de busca, além de Apps específicos para esta finalidade, e podem ser usadas para monitorização dos pacientes, análise de readmissões de pacientes que tiveram alta, sugestões de diagnósticos e da extensão da pandemia.

  1. Robótica

Cirurgia robótica pode permitir a participação de médicos de diversas localidades, contribuindo para cirurgias complexas sem o descolamento dos pacientes para grandes centros. Robôs podem auxiliar a monitorização dos pacientes internados promovendo proteção dos profissionais de saúde.

  1. Valorização das culturas de segurança em todas as instituições de saúde

A segurança é o pilar básico de qualquer programa de acreditação em qualidade de saúde e, quando nos referimos à segurança, estamos falando de segurança do paciente, dos profissionais de saúde, dos acompanhantes, dos dados e da própria instituição. A pandemia trouxe a público a necessidade absoluta deste tema ser tratado como prioridade. A própria lavagem das mãos, que corresponde a principal arma contra a pandemia do COVID-19, é uma das metas internacionais de segurança há décadas reconhecida em inúmeros países, mas nunca teve a adesão que merecia. Sabidamente a lavagem das mãos é o principal fator de prevenção da infecção hospitalar.

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