Quais os temas que mais caem na prova de Neonatologia?

21 de outubro, 2020
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Por Dra. Sabrina Gois

A neonatologia é uma especialidade da pediatria bem importante que vem ganhando, cada vez mais, peso em cima das provas de Residência Médica. Apesar de abranger só os 28 primeiros dias de vida de um bebê, requer bastante atenção, já que é composta por uma complexidade de cuidados, patologias e intervenções que precisam ser realizadas com perfeição. Um exemplo é o minuto de ouro, que são as manobras que devem ser feitas nos primeiros 60 segundos de vida de um neonato que precisa ser reanimado. Hoje, contaremos os assuntos que mais caem nas provas e nos aprofundaremos um pouco em alguns, para você ter mais um material de estudo. Vamos lá? 

Observação: O uso de CPAP deve ser considerado em RNPT <34 semanas com respiração espontânea e FC >100bpm, mas com desconforto respiratório e/ou SatO2 abaixo da esperada na transição normal, logo após o nascimento.

 

Avaliação da vitalidade ao nascer:

 

O primeiro procedimento a ser feito em sala de parto é esta avaliação, em que a frequência cardíaca (FC) é o principal fator determinante para os inícios das manobras de reanimação. Os métodos recomendados para a avaliação da FC são palpação do cordão umbilical, a ausculta do percórdio com estetoscópio, a detecção do sinal de pulso pela oximetria e da atividade elétrica do coração pelo monitor cardíaco.

Para o RN ≥ 34 semanas, com FC > 100 bpm e respiração regular/chorando, com bom tônus, INDEPENDENTEMENTE DO ASPECTO DO LÍQUIDO AMNIÓTICO, esse RN apresenta boa vitalidade e pode continuar junto com a mãe após o clampeamento do cordão umbilical. Mesmo com a mãe, deve-se garantir a manutenção de calor, de permeabilidade de vias aéreas e deve ser mantida a avaliação da vitalidade. Já́ no caso dos RN < 34 semanas, obrigatoriamente os mesmos serão conduzidos à mesa de reanimação após o clampeamento do cordão.

 

Líquido amniótico:

 

Não há recomendação de aspiração deste líquido, atualmente, das vias aéreas ao desprendimento do polo cefálico do concepto, independentemente da sua viscosidade. No RN a termo com boa vitalidade, deve-se continuar junto da mãe depois do clampeamento do cordão. Se o RN é pré-termo tardio, ou pós termo, ou não iniciou movimentos respiratórios regulares, ou o tônus muscular está flácido, será necessário leva-lo à mesa de reanimação, incluindo a aspiração de vias aéreas superiores.

 

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Icterícia e incompatibilidade ABO e RH

 

A icterícia é uma manifestação frequente no período neonatal, sendo na maioria dos casos fisiológica. A icterícia fisiológica surge após as primeiras 24 horas de vida e a realização de fototerapia dependerá dos níveis séricos de bilirrubina associados a fatores de risco do RN. No entanto, icterícias que surgem nas primeiras 24 horas sugerem icterícia patológica, sendo uma das etiologias comuns tanto na vida real quanto nas provas a eritroblatose fetal ou doença hemolítica do recém-nascido.

A doença hemolítica do recém-nascido pode manifestar-se tanto por incompatibilidade ABO quanto por incompatibilidade Rh. A incompatibilidade ABO é a mais frequente e ocorre quando a mãe do grupo sanguíneo “O” tem um RN dos grupos “A”, “B” ou “AB”, pois o indivíduo do tipo sanguíneo

“O” possui anticorpos anti-A e anti-B e estes podem acarretar a hemólise das hemácias do recém-nascido com tipo sanguíneo “A”, “B” ou “AB”, levando a um quadro de icterícia.

O organismo da mãe, então, estimula a produção de anticorpos anti-Rh que levarão à destruição de hemácias no recém-nascido, acarretando a eritoblastose fetal ou doença hemolítica do recém-nascido. Geralmente, se a mãe não teve exposição prévia ao antígeno RH (gestação prévia com filho RH + sem profilaxia adequada, transfusão de sangue inadequada etc.), o primeiro filho nascerá sem problemas, mas, em uma próxima gestação, os anticorpos concentrados no sangue da mãe, atravessam a placenta resultando na aglutinação das hemácias do feto. O risco da incompatibilidade Rh pode ser reduzido através da administração da imunoglobulina anti-D (rohgam) em gestantes Rh negativas não sensibilizadas na 28a semana ou ente 28a e 34a semanas de gestação.

 

Importante: A incompatibilidade ABO protege o neonato da incompatibilidade Rh, visto que os anticorpos naturais maternos anti-A e/ou anti-B acabam hemolisando as células Rh+ do neonato, não permitindo o acesso destas células ao sistema imune materno o que impede a sensibilização para o antígeno D.

Assim como as demais causas de hiperbilirrubinemia indireta, o tratamento deve ser feito por fototerapia e/ou exsanguineotransfusão.

 

Sífilis Congênita

 

Pode ser dividida didaticamente em sífilis congênita precoce ou tardia. Caso a mãe tenha diagnóstico durante a gestação, deverá ser realizado teste não treponêmico no sangue periférico, sendo que a testagem materna simultânea auxilia na determinação diagnóstica. Após definir se a mãe foi ou não adequadamente tratada, deve-se seguir o fluxograma:

 

 

 

Tuberculose

 

Recém-nascidos coabitantes de casos de TB pulmonar ou laríngea podem ser infectados pelo M. tuberculosis (MTB) e desenvolver formas graves da doença. Por isto, nestes casos, é recomendada a prevenção da infecção pelo MTB, também denominada quimioprofilaxia primaria, conforme fluxograma da figura a seguir.

Tuberculose

 

O RN coabitante de casos de TB pulmonar ou laríngea não deverá ser vacinado com a BCG ao nascimento e deve iniciar a quimioprofilaxia primária.

 

Sepse Neonatal

 

divisão, geralmente a sepse neonatal precoce é definida como aquela que ocorre nas primeiras 48 a 72 horas de vida e está relacionada a fatores pré-natais maternos e do periparto. A exceção para sepse neonatal precoce é a sepse neonatal causada pelo Streptococcus agalactiae, que, embora seja de etiologia perinatal, pode surgir nos primeiros 7 dias de vida. A sepse neonatal tardia usualmente ocorre após as primeiras 48 a 72 horas de vida e relaciona-se com fatores pós-natais como, por exemplo, procedimentos em UTI neo. Os patógenos mais envolvidos em cada período são a sepse precoce e a sepse tardia.

 

Triagem neonatal

 

É um conjunto de exames que devem ser feitos gratuitamente, por lei, após o nascimento, que visam detectar doenças e/ou alterações precocemente nos bebês a fim de começar um tratamento o mais rápido possível e evitar problemas futuros. Atualmente, os exames obrigatórios e gratuitos são:

– Teste do Pezinho Básico;

– Teste do Reflexo Vermelho;

– Triagem Auditiva;

– Teste do Coraçãozinho

– Teste da Linguinha.

 

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A Dra Sabrina é formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, fez Residência Médica em pediatria no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, possui título de especialista em pediatria, pós graduação em homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia, Título de especialista em homeopatia e é preceptora dos residentes de pediatria do Hospital Infantil Cândido Fontoura em atendimento em Unidade Básica de Saúde.

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