Residência Médica na Prática: Transição demográfica e epidemiológica

05 de novembro, 2020
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As transições demográfica e epidemiológica são assuntos frequentes nas provas de Residência Médica. A transição demográfica se refere às mudanças que ocorreram quanto à quantidade de pessoas que habitam um determinado local ao longo do tempo, e tem como principais indicadores as taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade de uma região. Já a transição epidemiológica está relacionada às mudanças no perfil de doenças que são predominantes na população ao longo do tempo.

 

O primeiro episódio da segunda temporada da série Residência Médica, da Medcel, trata, entre outros, desses assuntos, a partir do caso da Dona Joana. A seguir, você confere os principais pontos que deve considerar durante seus estudos. Para conferir o episódio e todos os materiais complementares disponíveis acesse e faça o seu cadastro.

 

A estrutura da transição demográfica  

Quatro fases estruturam a transição demográfica:

 

1- Fase pré-industrial: equilíbrio nas taxas de natalidade (altas) e mortalidade (também altas).

 

2- Fase intermediária 1: há uma diminuição das taxas de mortalidade. Isso está normalmente associado a melhores condições socioeconômicas, sendo o indicador mais sensível a essa mudança (ou seja, o que se altera primeiro, temporalmente). Aqui, há um crescimento acelerado da população, pois, ao passo que as taxas de natalidade continuam altas, o número relativo de óbitos diminui.

 

3- Fase intermediária 2: há uma diminuição das taxas de natalidade. Essa fase é característica dos avanços sociais e melhora dos níveis socioeconômicos, e também coincidente com avanços de direitos, como a entrada da mulher no mercado de trabalho. Nesse momento, o crescimento da população passa a ser desacelerado, ocorrendo, então, um “envelhecimento” da população.

 

4- Fase moderna: ambos os coeficientes (mortalidade e natalidade) se equilibram, porém, em níveis mais baixos, estabilizando com uma população mais envelhecida. Em alguns países desenvolvidos, já é possível observar que  a natalidade é menor que a mortalidade (ou seja, tendência a diminuição da população).

 

A pirâmide demográfica do Brasil 

 

A pirâmide demográfica é um gráfico espelhado que apresenta, por faixa etária, quantas pessoas existem na região estudada. Na base da pirâmide, situam-se os indivíduos mais jovens, enquanto, no topo, há os indivíduos mais velhos. A pirâmide, normalmente, é dividida longitudinalmente em dois (gráfico espelhado), com cada um dos sexos de um lado – o feminino costuma ser maior.

 

Na pirâmide demográfica do Brasil – tema recorrente nas provas de Residência Médica, tínhamos uma base larga, com muita população jovem e, com a progressão da idade, a pirâmide vai diminuindo, ficando com o topo estreito. Essa pirâmide era característica das primeiras fases da transição demográfica, com taxas de natalidade altas, porém com alta mortalidade concomitante.

 

Ao longo do tempo, no entanto, essa pirâmide foi se tornando mais retangular, pois as pessoas começaram a morrer mais tarde e tivemos diminuição das taxas de mortalidade infantil, das taxas de natalidade e de fecundidade. Ou seja, de acordo com o Prof. Dr. Lucas Primo, especialista em Saúde Coletiva, a transição passa de uma pirâmide de base larga e topo estreito, para uma pirâmide quadrada, com um formato mais próximo dos países desenvolvidos.

 

Estágios da transição epidemiológica 

 

Ao todo, cinco estágios dividem a transição epidemiológica. Eles são:

 

1- Primeiro estágio: Período das pragas e da fome – níveis de mortalidade elevados com predominância de doenças infecciosas e parasitárias, desnutrição e problemas de saúde reprodutiva. Esse período da transição epidemiológica coincide com os estágios iniciais da transição epidemiológica, pois há um crescimento populacional lento, demarcado pela esperança de vida oscilando entre 20 e 40 anos e por taxas de natalidade e mortalidade elevadas).

 

2- Segundo estágio: Período do desaparecimento das pandemias de doenças infectocontagiosas com mortalidade em declínio, acompanhado por queda de fecundidade.

 

3- Terceiro estágio: Período das doenças crônico-degenerativas e causas externas (provocadas pelo homem). Esse estágio é característico das evoluções socioeconômicas, pois, com a queda da mortalidade e diminuição da fecundidade (transição demográfica), abre-se um espaço para o surgimento de doenças características de indivíduos idosos, como doenças cardiovasculares, neoplasias, entre outros.

 

4- Quarto estágio: Período do declínio da mortalidade por doenças cardiovasculares, envelhecimento populacional, modificações no estilo de vida, ocorrência de doenças emergentes e ressurgimento de doenças. Esse período é característico de países desenvolvidos, já sendo considerado uma realidade em algumas regiões.

 

5- Quinto estágio: É um período teórico, com longevidade paradoxal, emergência de doenças enigmáticas e capacitação tecnológica para a sobrevivência do inapto.

 

A transição nutricional é outro tipo de transição populacional de interesse da epidemiologia. Esta aborda o fato de que o brasileiro está se alimentando mal e fazendo poucos exercícios. A mudança de um estilo de vida mais ativo para um mais sedentário tem, como consequência, problemas crônicos. E, por fim, causas externas, que atingem cada vez mais homens jovens.

 

Caso clínico  

 

Na série Residência Médica, Dona Joana procura atendimento médico e é encaminhada para o psiquiatra. Ela diz que não está se sentindo bem e tem um aperto no peito. Confira detalhes do atendimento no primeiro episódio da segunda temporada. Mas, veja abaixo alguns pontos a se observar em relação às transições demográfica e epidemiológica aplicados a um caso clínico.

 

A paciente tem dois filhos, o que representa o perfil das famílias brasileiras atuais, que passaram de uma alta taxa de natalidade (grande quantidade de filhos) para a diminuição da natalidade em uma fase tardia da transição demográfica. Além disso, ela tem uma filha adolescente que está grávida, o que é uma particularidade do Brasil, pois, apesar das menores taxas de natalidade, tem registrado aumento das taxas de gravidez na adolescência. Outra observação é que o seu filho teve um recente acidente de moto, o que indica a alta prevalência de óbitos por causas externas (acidentes automobilísticos, homicídio e suicídio), especialmente em jovens do sexo masculino.

 

Em relação à epidemiologia, a paciente tem hipertensão, depressão e doença respiratória crônica, condições que acometem cada vez mais os brasileiros adultos. Esse é um exemplo da transição epidemiológica, que passou de uma predominância de doenças infectocontagiosas para doenças crônicas não transmissíveis.

 

Do ponto de vista nutricional, a paciente tem sobrepeso e um estilo de vida sedentário, trabalhando como auxiliar de telemarketing, em que fica predominantemente sentada. Ela representa, assim, a transição nutricional com mudanças alimentares e mudança de hábitos.

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