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esde o dia 1 de abril, pacientes graves hospitalizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de Covid-19, que estejam em uso de oxigênio por máscara ou cateter nasal, podem ser medicados com Baricitinibe. A decisão foi anunciada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que mais recentemente (6 de maio) definiu também a incorporação dos medicamentos Nirmatrelvir e Ritonavir para pacientes com casos leves da doença. 

O órgão admite que ainda há poucas evidências da eficácia de terapias medicamentosas indicadas especificamente para tratamento da Covid-19. Mas, no caso da recomendação de Baricitinibe, além de análise de ensaios clínicos randomizados, foram considerados estudos observacionais e revisões sistemáticas que avaliassem o medicamento tanto como monoterapia quanto associado à terapia padrão (definida pela Conitec como corticoesteroides sistêmicos, anticoagulantes, antimicrobianos e/ou antivirais). O órgão considerou ainda uma fase de consulta pública, em que especialistas avaliaram critérios como evitação de morte, impactos orçamentários e potencial de sustentabilidade do uso de medicamentos pelo SUS.

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Sobre o Baricitinibe

O Baricitinibe é um medicamento inibidor seletivo de enzimas janus quinases (JAKs), responsável pela comunicação de células envolvidas em hematopoese, inflamação e função imunológica, de acordo com a própria bula

Em seu Relatório de Recomendação, a Conitec destacou que desde janeiro a Organização Mundial da Saúde (OMS) vinha recomendando o uso de Baricitinibe como “alternativa aos bloqueadores dos receptores de Interleucina-6 (IL-6) em combinação com corticoesteroides, em pacientes com quadros graves e/ou críticos de Covid-19.

Até então, o medicamento tinha indicação de uso aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de artrite reumatoide ativa de moderada a grave em pacientes com resposta inadequada a antirreumáticos, podendo ser usado como monoterapia ou de forma associada. Havia ainda indicação para o cuidado de pacientes adultos com dermatite atópica de moderada a grave. Contudo, com a decisão da Conitec, fica recomendado também o uso para tratamento de pacientes adultos hospitalizados pelo SUS que necessitem de suplementação de oxigênio, seja por máscara, cateter nasal ou ventilação não invasiva).

Pacientes leves, Nirmatrelvir e Ritonavir

Além da incorporação do medicamento para tratar pacientes com casos graves da doença, o SUS contará também com duas opções destinadas a casos mais leves ou, ainda, moderados de Covid-19. O objetivo, segundo anúncio também da Conitec, é “prevenir internações, complicações e mortes”.  Para isso, foram recomendados os antivirais Nirmatrelvir e Ritonavir, que deverão ser utilizados principalmente em pacientes adultos e imunocomprometidos, com idade igual ou superior a 65 anos. O órgão alerta que os medicamentos só poderão ser usados em caso de testagem positiva para Covid-19 e início dos sintomas com período igual ou menor a cinco dias.

Como os antivirais funcionam contra a Covid-19?
Segundo a Conitec, os medicamentos deverão ser utilizados em conjunto. Enquanto o Nirmatrelvir atua como molécula inibidora da 3-chymotrypsin-like-protease (3CLpro), também conhecida como Mpro, que é a principal protease do SARS-CoV-2. Quando administrado com Ritonavir, um inibidor de protease CYP3A4, principal metabolizador do primeiro medicamento, eleva sua capacidade de ação em razão da maior possibilidade de duração na corrente sanguínea. 

No entanto, é importante reforçar que o relatório de recomendação dos medicamentos destaca que a evidência disponível da eficácia é resultado de ensaio clínico feito com pacientes não vacinados, que apresentaram ao menos um fator de risco de agravamento da doença. O documento afirma ainda que é razoável considerar que o benefício na população vacinada seja menor, com base em resultados apresentados por pacientes do subgrupo que haviam testado positivo anteriormente.

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Postado em
12/5/22
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