Cardiologia e Prova de Residência: 13 assuntos para ficar de olho

Cardiologia e Prova de Residência: 13 assuntos para ficar de olho

por Medcel

O projeto Medcel Talks, que realiza diversas lives no Instagram oficial da Medcel, fez uma retrospectiva para entender quais temas podem ser abordados nas próximas provas de Residência Médica. A revisão, mediada pelo Dr. Renato Akira, da Cardiologia, junto com mais outros quatro professores das especialidades de Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Psiquiatria, com certeza vai ajudá-lo a se preparar para as provas de Residência Médica. Você pode conferir o vídeo clicando aqui e buscando no IGTV. Neste artigo, você confere a retrospectiva de Cardiologia, com o Prof. Renato Akira, com nada mais, nada menos do que 13 assuntos da especialidade que merecem a sua atenção na hora de estudar. Vamos lá?  

1) Atualização da ACLS

No fim de outubro de 2020, o ACLS foi atualizado. Em relação às bradicardias, mudaram algumas doses. Em um paciente com bradicardia sintomática, ou seja, bradicardia e sinais e sintomas como dor torácica anginosa, congestão pulmonar, hipotensão arterial, rebaixamento do nível de consciência e má perfusão periférica, é necessário iniciar tratamento. Uma das medicações clássicas nesse cenário é a atropina, e a dose recomendada atual é a de 1 miligrama a cada 3 a 5 minutos, com dose máxima de 3 mg. Ainda em relação às bradicardias, outra mudança foi em relação à dopamina, agora, a dose recomendada é a de 5 a 20mcg/kg/min.  

2) Ritmo desfibriláveis (fibrilação ventricular e Taquicardia ventricular sem pulso)

A orientação, nesse caso, é de desfibrilar o paciente o quanto antes. Depois, devem ser realizados dois minutos de reanimação cardiopulmonar (RCP). A primeira dose da adrenalina deve ser aplicada após a segunda desfibrilação - isso é uma pegadinha de prova. A primeira dose da amiodarona é aplicada após a terceira desfibrilação (300 mg), lembre-se que uma segunda e última dose de amiodarona (150 mg) pode ser infundida de 3 a 5 minutos após a primeira dose.  

3) Ritmos não desfibriláveis

A recomendação do novo ACLS para casos em que a parada cardiorrespiratória (PCR) se inicia com ritmos não desfibrilháveis como AESP e assistolia é de prescrever adrenalina (1 mg) o quanto antes.  

4) PCR em gestantes

Em relação à PCR em gestantes, a recomendação antiga do ACLS era de realizar a cesárea perimortem depois de 4 minutos de RCP (gestantes após a segunda metade da gestação). Com a nova atualização, o tempo passa a ser de 5 minutos. É importante salientar que durante a cesárea, a RCP deve continuar a ser realizada na gestante. Com a melhora da circulação materna, a chance do retorno à circulação espontânea é maior.  

5) RCP de alta qualidade

Em um paciente sem via aérea avançada, devemos realizar 30 compressões seguidas de 2 ventilações, o famoso 30:2. As compressões torácicas devem ser realizadas em um ritmo de 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade de 5 a 6 centímetros. É importante deixar o tórax retornar à posição inicial e minimizar as interrupções.  

6) Intubação orotraqueal

Todo paciente em PCR precisa ser intubado? De acordo com o Dr. Akira, isso não é uma obrigatoriedade. Se a causa da PCR  não for hipóxia e a ventilação com o dispositivo bolsa-válvula-máscara estiver adequada, não é preciso intubar o paciente.  

7) Hipertensão arterial sistêmica

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é mais um assunto frequente. É importante, então, saber quais são os medicamentos de primeira linha para o tratamento. - IECA; - BRA; - Bloqueadores dos canais de cálcio; - Diuréticos tiazídicos. Lembre-se sempre da regra de ouro de não associar IECA com BRA. No caso da hipertensão resistente, em que o paciente está usando três anti-hipertensivos: IECA ou BRA, bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico e um diurético tiazídico, todos em doses otimizadas, e a meta pressórica não é atingida, a pergunta clássica é: qual a quarta medicação? É a famosa espironolactona!  

8) Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida

Neste tema, existem muitas novidades. Mas, geralmente, as provas cobram abordagens mais clássicas. Como, por exemplo, quais medicações reduzem a mortalidade de um paciente com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), ou seja, uma fração de ejeção menor que 40%. Outro ponto de atenção aqui é relacionado à furosemida, uma ótima medicação para sintomas congestivos, mas sem ação em reduzir mortalidade, assim como a digoxina e a amiodarona. Para a ICFER ,o recomendado, então, é a famosa terapia tripla: IECA ou BRA, betabloqueador e antagonista mineralocorticoide (espironolactona), são medicações que reduzem a mortalidade. E mais uma pegadinha para ter atenção: betabloqueadores como o atenolol e propranolol NÃO reduzem mortalidade da IC com fração de ejeção reduzida. Lembrem-se do trio CMB (carvedilol, succinato de metoprolol e bisoprolol). Outra questão clássica: paciente com ICFER, está fazendo uso de IECA e betabloqueador em doses otimizadas. Mas, mesmo assim, está sintomático. Qual é a próxima medicação? É a espironolactona (antagonista mineralocorticoide ou antagonista da aldosterona).  

9) Peptídeos natriuréticos

Os peptídeos natriuréticos devem ser solicitados quando há dúvida diagnóstica. Para entender, por exemplo, se um quadro de dispneia é causado por uma cardiopatia ou pneumopatia. Eles também são úteis para a avaliar o prognóstico do paciente, mas atenção, não devem ser solicitados para guiar o tratamento.  

10) Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada

Atenção com outra pegadinha! Nas questões sobre IC com fração de ejeção preservada (ICFEP) o enunciado vai dizer que para essa doença existem medicações que reduzem a mortalidade. Porém, até hoje, nenhum estudo demonstrou que alguma medicação reduz a mortalidade nessa doença.  

11) Torsade de pointes

torsade de pointes (TV polimórfica secundário ao prolongamento do intervalo QT) é uma taquiarritmia muito cobrada atualmente. São fatores de risco clássicos: medicações que prolongam o intervalo QT (amiodarona, macrolídeos, haloperidol, antidepressivos tricíclicos, hidroxicloroquina), idade avançada, sexo feminino, cardiopatia estrutural, bradicardia. Tome nota: em um caso de torsades de pointes com instabilidade hemodinâmica, o médico deve desfibrilar o paciente, será muito difícil realizar a cardioversão elétrica sincronizada.  

12) Cardio-oncologia

As questões clássicas de cardio-oncologia apresentam pacientes em tratamento de câncer de mama com antraciclina ou trastuzumabe. Na evolução do tratamento a paciente começa a apresentar sinais e sintomas como dispneia, edema de membros inferiores, dispneia paroxística noturna, e B3. Nesse caso, é importante lembrar da cardiotoxicidade desses quimioterápicos. Se a fração de ejeção apresentar uma queda importante, provavelmente a questão será focada na conduta. Nesses casos, a quimioterapia deve ser interrompida para iniciar o tratamento de insuficiência cardíaca.  

13) Síndrome ou cardiomiopatia de Takotsubo

As questões clássicas sobre Takotsubo apresentam, normalmente, uma mulher de meia idade, que passou por um estresse emocional absurdamente importante e evolui com dor torácica anginosa. Ela chega na emergência com dor típica, pode haver supra de ST, elevação de marcadores de injúria miocárdica, mas o cateterismo cardíaco evidencia coronárias sem placas ateroscleróticas. Na ventriculografia, chama a atenção a presença de balonamento apical com hipercinesia basal, em um formato que lembra um Takotsubo, uma armadilha para capturar polvos no japão. Agora que você está por dentro dos principais assuntos de Cardiologia, que tal experimentar o curso da Medcel por 7 dias sem pagar nada? Não perca tempo e comece já a sua preparação para as provas que estão por vir. Sobre o Prof. e Dr. Renato Akira Dr Renato Akira Nishina Kuwajima é Cardiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Ele fez Residência Médica em Clínica Médica pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) e é Graduado em Medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Instrutor do Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS) no Hospital Beneficência Portuguesa e Hospital Samaritano Higienópolis


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