É

cada vez mais precoce a idade de início da vida sexual da mulher, estima-se que 1/3 das adolescentes brasileiras tenham sua primeira relação sexual antes dos 15 anos. Nesse contexto, o médico da atenção básica e o ginecologista frequentemente deparam-se com uma adolescente solicitando, seja por livre arbítrio ou sugestão da mãe ou parentes, aconselhamento anticoncepcional.

A idade isoladamente não contraindica qualquer método anticoncepcional. Ao contrário, adolescentes têm maior número de opções contraceptivas em virtude das condições de saúde próprias da idade. Porém, as formas mais populares de contracepção em adolescentes são preservativos e o coito interrompido, seguidos das pílulas combinadas. Sendo que o coito interrompido é um método pouco eficiente para prevenir gravidez indesejada. 

Além disso, o Projeto CHOICE mostrou que a taxa de descontinuidade global do método contraceptivo foi maior entre as adolescentes (14 a 19 anos de idade), comparadas às mulheres adultas (maiores de 25 anos de idade). Dados que apontam a necessidade de melhor orientação dos jovens em relação aos métodos contraceptivos.

Contraceptivos orais

Os contraceptivos orais combinados mostraram menor continuidade e índice de falha em adolescentes. Acredita-se que as pílulas, cuja administração contempla intervalos curtos sejam mais eficazes, como com drospirenona em regime de 24 dias e valerato de estradiol e dienogeste (26 dias) do que que as pílulas com levonorgestrel ou naquelas com regime de 21 dias.

Injetável trimestral

Muitas vezes, pela facilidade da adesão e baixo custo, este método com progestágeno isolado parece ser uma excelente opção. Existe, por outro lado, preocupação com o uso do acetato de medroxiprogesterona em adolescentes com histórico familiar ou fatores de risco para osteoporose.

Um estudo realizado a partir de uma coorte prospectiva avaliou os efeitos do acetato de medroxiprogesterona de depósito intramuscular (DMPA) (150 mg/mL) na densidade mineral óssea (DMO) em mulheres com idades entre 25 e 35 anos durante sete anos. Foi constatada importante redução na DMO com esse contraceptivo, que tendia a normalizar-se após a suspensão do método. Assim, parece prudente não utilizar este método por longo período.

Implante subdérmico

Há poucos estudos sobre o uso de implantes de etonogestrel em adolescentes. A remoção com menos de três anos (período de validade do implante) ocorreu em 35%. As maiores queixas seriam o sangramento tipo escape e acne. A remoção precoce por sangramento incômodo ocorreu em 18%. Os resultados indicam que a continuidade é alta em 12 e 24 meses, com 40% das pacientes atingindo 32 meses de uso do implante, o que resulta em um período significativo de proteção anticoncepcional.

DIU

American College of Obstetricians and Gynecologist, a Organização Mundial da Saúde e a American Academy of Pediatrics consideram que DIUs são seguros em adolescentes nuliparas, não causando infertilidade tubária. Sua remoção é seguida por rápido retorno da fertilidade. O uso de DIUs não aumenta o risco de doença inflamatória pélvica do trato genital superior acima do risco basal esperado para mulheres.

Além disso, um estudo em 129 nuliparas usuárias de sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) encontrou taxa de expulsão em nulíparas inferior a 1% ao ano. Outros estudos também não encontraram maior risco de expulsão em nulíparas e nem relação com o tamanho da cavidade endometrial medida por histerômetro ou ultrassonografia (independentemente da paridade).

Conclusão

A idade isoladamente não contraindica qualquer método contraceptivo. Ao contrário, adolescentes têm maior número de opções contraceptivas em virtude das condições de saúde próprias da idade. Lembrando-se que sempre deve ser recomendado o uso de camisinha para prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, e atentar a paciente quanto à alta taxa de falha deste método quando utilizado isoladamente.

Artigo publicado originalmente no Portal PEBMED

Referências:

Machado RB. Anticoncepção na adolescência. In: Necessidades específicas para o atendimento de pacientes adolescentes. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. Cap. 1, p. 1-8. (Série Orientações e Recomendações Febrasgo, no. 5/Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção).

Kaunitz AM, Miller PD, Rice VM, Ross D, McClung MR. Bone mineral density in women aged 25-35 years receiving depot medroxyprogesterone acetate: recovery following discontinuation. Contraception. 2006;74(2):90-9.

Obijuru L, Bumpus S, Auinger P, Baldwin CD. Etonogestrel implants in adolescents: experience, satisfaction, and continuation. J Adolesc Health. 2016;58(3):284-9. 3. American College of Obstetricians and Gynecologists. ACOG Committee Opinion No. 392, December 2007. Intrauterine device and adolescents. Obstet Gynecol. 2007;110(6):1493-5.

Ott MA, Sucato GS; Committee on Adolescence. Contraception for adolescents. Pediatrics. 2014;134(4):e1257-81.

Rehme MF, Cabral Z. Atendendo a adolescente no consultório de ginecologia. In: Necessidades específicas para o atendimento de pacientes adolescentes. São Paulo: Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. Cap. 2, p. 9-16.

Postado em
27/7/22
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