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Recentemente a divulgação da aposentadoria do ator norte-americano Bruce Willis devido ao diagnóstico de afasia trouxe um enfoque para essa condição de saúde ainda pouco conhecida entre muitos.

A afasia é um distúrbio de linguagem, podendo ser resultado de lesões em regiões perissilvianas do hemisfério dominante. Cerca de 90 a 95% da população é destra. O hemisfério cerebral esquerdo é o dominante para linguagem em 99% dos destros e em 60 a 70% dos canhotos. Há diversas etiologias responsáveis por causar a afasia. Geralmente, estão relacionadas a causas como AVC ou neoplasias.

A linguagem é uma forma de expressar pensamentos através de um sistema de símbolos, dentre eles, a fala, a escrita e a gesticulação. Os pacientes que possuem diagnóstico de afasia possuem um grande impacto nas suas atividades diárias, visto que a comunicação entre eles e o ambiente que os acercam está prejudicada.

Como se classifica a afasia?

A classificação é heterogênea, visto que é resultado de uma combinação de diversos componentes característicos da linguagem, como: fluência verbal, compreensão, nomeação, repetição, leitura e escrita. Logo, sua manifestação clínica é variável, as principais síndromes de afasia estão explicitadas na tabela 1:

Tabela adaptada do livro DeJong’s the neurologic examination, 2005.

É importante ressaltar que há um grupo de doenças neurodegenerativas conhecidas por ter a afasia como manifestação clínica inicial e predominante, ocorrendo mesmo na ausência relativa de comprometimento cognitivo, comportamental ou motor. Esse grupo é denominado de afasias primárias progressivas (APP).

As afasias progressivas primárias se referem a um grupo raro de demência neurodegenerativa, que geralmente se desenvolve em indivíduos abaixo de 65 anos.

Critérios de inclusão para diagnóstico de APP

Os critérios diagnósticos para APP estão esclarecidos abaixo:

Inclusão: Preencher critérios de 1 a 3

  1. Característica clínica predominante deve ser dificuldade com linguagem
  2. Afasia deve ser a principal causa para comprometimento nas atividades diárias de vida
  3. Afasia deve ser o déficit mais proeminente no início dos sintomas da doença

As manifestações clínicas das APP não seguem o padrão clássico de classificação das afasias já citados na Tabela 1, mas sim por algumas características singulares.

Esse grupo de doenças apresenta 3 variantes principais:

  • Afasia Progressiva Primária – Variante Logopênica

Indivíduos com essa forma de afasia apresentam fluência, repetição e gramatismo preservados, embora o discurso seja vago e marcado por circunvoluções. Há comprometimento na compreensão de palavras simples e em nomeação. A etiologia mais comum dessa variante é Doença de Alzheimer.

  • Afasia Progressiva Primária – Variante Semântica 

Indivíduos com essa forma de afasia apresentam discurso fluente, marcado por parafasias e circunvoluções nas frases. Há uma importante interferência na compreensão de palavras simples. Dislexia e disgrafia de superfície são características marcantes. A etiologia mais comumente associada é referente à patologia TDP.

  • Afasia Progressiva Primária – Variante Agramática 

Indivíduos com essa forma de afasia apresentam discurso não fluente, sendo observada características marcantes como agramatismo e apraxia de fala. Uma das etiologias mais comuns é a patologia associada à proteína tau.

O tratamento geral das afasias, sendo ou não neurodegenerativas, está baseado em terapia fonoaudiológica. A terapia de fala consiste em:

  • Auxiliar a armazenar o máximo de fala e linguagem possível;
  • Estimular atividade e participação no ato de comunicação;
  • Encontrar caminhos alternativos de comunicação;
  • Providenciar informações sobre afasia tanto ao paciente como familiares, amigos e cuidadores.

Conteúdo publicado originalmente no Portal PEBMED.

Referências:

  • Campbell, William Wesley, and Russell N. DeJong. DeJong's the neurologic examination. No. 2005. Lippincott Williams & Wilkins, 2005.
  • Mesulam, Marsel. "Primary progressive aphasia: a dementia of the language network." Dementia & neuropsychologia 7 (2013): 2-9.

Postado em
5/7/22
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