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bactéria Helicobacter pylori, ou H. pylori, é a principal causadora de gastrite e úlceras gástricas e é assunto recorrente, não só nas provas de Residência Médica mas também na rotina de um médico.

Sendo assim, saber os detalhes sobre ela é fundamental tanto para o atendimento médico, quanto para a preparação para os exames de R1, portanto, preparamos um resumo completo com as principais informações sobre o assunto.

Origem e definição

Antigamente as úlceras duodenais e gástricas eram consideradas resultado de manifestações psicossomáticas e eram tratadas por meio de procedimento cirúrgico, no qual era retirada parte do estômago.

Em 1983, os australianos Warren J. e Marshall B. depois de diversos estudos, isolaram o Campylobacter pyloridis no estômago de pacientes que apresentavam sinais de gastrite crônica e chegaram à hipótese de que essa bactéria poderia ser a causadora da referida doença.

Em 1989 a sua nomenclatura foi alterada para Campylobacter pylori  e, por fim, foi reconhecida como Helicobacter pylori devido à sua morfologia helicoidal.

Trata-se de uma bactéria gram-negativa, em formato cilíndrico e com flagelos que permitem que ela se fixe e à superfície da mucosa gástrica e se movimente neste ambiente. Inclusive, é o seu formato espiralado que permite que ela atravesse a camada de muco que protege o epitélio gástrico.

Um ponto importante a ser observado é uma particularidade que esta bactéria possui: a capacidade de sobreviver a um ambiente ácido como o do estômago.

Essa sobrevivência se dá devido à sua capacidade de converter a ureia presente no suco gástrico em amônia e gás carbônico, neutralizando parcialmente essa acidez. Ocorre que, ao se instalar na mucosa do estômago, ela dá início a um processo inflamatório, resultando em complicações.

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Quais os riscos

A presença da Helicobacter pylori no organismo está associada diretamente a três patologias gastrointestinais: úlceras gástricas e duodenais, câncer de estômago e linfoma do tipo MALT. A OMS considera a H. pylori, inclusive, um agente carcinogênico.

No que tange à sua associação ao linfoma do tipo MALT é bom destacar também que, erradicar a infecção pela bactéria resulta na regressão da doença na maioria dos casos, sendo o único tipo de câncer curável com a administração de antibióticos.

Como ocorre a transmissão

A bactéria pode ser encontrada nas fezes, saliva e placa dos dentes. Sendo assim, ela pode ser transmitida de pessoa para pessoa, principalmente se não houver bons hábitos de higiene. 

Além disso, a proliferação pode ocorrer por meio de água e alimentos contaminados, se instalando, assim, dentro do organismo. Por isso, a incidência aumenta de acordo com fatores socioeconômicos, conforme as diretrizes mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia, divulgadas em 2021.

A bactéria pode ser contraída desde os primeiros anos de vida, e se manifestar somente quando adulto, ou nunca se manifestar

Pesquisas apontam, inclusive, que mais de 50% da população mundial estão infectados com a Helicobacter pylori, mas a grande maioria é assintomática.

Principais sintomas

Apesar de grande parte do público acometido pela bactéria ser assintomático, há alguns sintomas relacionados ao quadro de infecção e que podem servir de alerta durante o atendimento médico.

Os sintomas mais comuns para quem contraiu a Helicobacter pylori são a queimação epigástrica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e febre.

O diagnóstico

O diagnóstico pode ser obtido por métodos não invasivos, como o teste de antígeno fecal, o exame de sorologia (sangue), cultura, PCR, e o teste respiratório para verificar a presença de dióxido de carbono na amostra.

Mas pode acontecer de ser necessária a coleta de biópsia gástrica. Nesse caso, a técnica a ser utilizada é invasiva, por meio da endoscopia digestiva. Importante destacar que esse exame não é recomendado para atendimentos pediátricos.

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Como tratar

O tratamento padrão para esse tipo de diagnóstico consiste na combinação de 3 a 4 medicamentos. 

Essa combinação de medicamentos tem por objetivo eliminar a bactéria e, ao mesmo tempo, realizar o controle do ácido estomacal e a cicatrização das feridas causadas pelo processo inflamatório.

Para o tratamento clínico deve-se realizar a associação de dois antibióticos (Amoxicilina e Claritromicina), juntamente com um inibidor de bomba de prótons como, por exemplo, o Omeprazol. O tempo de duração do tratamento pode variar entre 7 a 14 dias.

É importante se atentar, no momento da prescrição dos medicamentos, sobre condições alérgicas do paciente. Se necessário realizar a troca, a Amoxicilina pode ser substituída por Metronidazol ou, caso haja resistência a ele, substituí-lo por Tetraciclina, Estreptomicina ou Rifampicina. Já a Claritromicina pode ser substituída pela Azitromicina ou Levofloxacina.

Em alguns casos, se faz necessário a complementação com o Bismuto.

O tratamento poderá causar efeitos colaterais no paciente, ocasionando desconfortos como dor de cabeça, diarreia ou constipação, náuseas e alteração no paladar.

Aprofunde seus estudos

Saber sobre a peculiaridade de patologias tão comuns no atendimento médico é fundamental para a realização de um atendimento eficaz. E para quem ainda está na fase de estudos para a Residência Médica, é muito importante estar por dentro dos assuntos que sempre são cobrados.

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Postado em
20/6/22
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