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sepse neonatal é uma das intercorrências mais graves do período neonatal, sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade neste período, principalmente nos recém-nascidos com fatores de risco. A Dra. Sabrina Gois, pediatra e professora na Medcel, esclarece sobre o tema neste artigo, para que você inclua como meta de estudos para a prova de Residência Médica.

Definição de sepse neonatal

É definida como um conjunto de sinais e sintomas de um quadro de infecção e/ou isolamento de um patógeno no sangue de um neonato, ou seja, até 28 dias de vida. Tanto pela facilidade didática quanto pelas mudanças etiológicas para cada período, a sepse neonatal é dividida em precoce e tardia.

Embora haja definições diferentes quanto ao tempo exato desta divisão, geralmente a sepse neonatal precoce é definida como aquela que ocorre nas primeiras 48 a 72 horas de vida e está relacionada a fatores pré-natais maternos e do periparto. A exceção para sepse neonatal precoce é a sepse neonatal causada pelo Streptococcus Agalactiae que, embora seja de etiologia perinatal, pode surgir nos primeiros 7 dias de vida.

A sepse neonatal tardia usualmente ocorre após as primeiras 48 a 72 horas de vida e relaciona-se com fatores pós-natais como, por exemplo, procedimentos invasivos em UTI neonatal e transmissão horizontal por meio das mãos dos profissionais que entram em contato com o recém-nascido.

Sintomas

Para qualquer agente etiológico causador da sepse neonatal, não há uma sintomatologia clínica específica. O quadro clínico pode variar com diversos sinais e sintomas como estase gástrica, instabilidade da temperatura, hipotermia, taquipneia, apneia, abaulamento de fontanela, convulsões, hipoatividade, vômitos, queda da saturação de oxigênio, hipotensão arterial, má perfusão e hipotonia, entre outros.

Diagnóstico para a sepse neonatal

O diagnóstico é clínico, sendo que o isolamento de uma bactéria patogênica na hemocultura confirma o diagnóstico e, como o resultado deste exame é demorado, embora seja o padrão ouro, pode-se solicitar outros exames que corroborem ou afastem a suspeita diagnóstica, tais como hemograma completo, plaquetas, urocultura, líquor, PCR, glicose, eletrólitos entre outros.

Tratamento

O tratamento consiste em medidas de suporte e na introdução do antibiótico assim que haja suspeita diagnóstica e logo após a coleta dos exames. Para a sepse neonatal precoce, o tratamento específico é a associação de ampicilina e um aminoglicosídeo (geralmente gentamicina), que cobre os patógenos envolvidos neste período.

Já na sepse neonatal tardia a cobertura da antibioticoterapia deve ser direcionada aos organismos relacionados às infecções hospitalares adquiridas, incluindo S. aureus, S. epidermidis e espécies de Pseudomonas, ou especificamente os patógenos encontrados naquele serviço em questão. Usualmente, dentre os antibióticos utilizados, estão vancomicina, cefalosporinas (exceto ceftriaxona, pois aumenta o risco de kernicterus) e/ou aminoglicosídeos.

Sepse neonatal e profilaxia para Estreptococo do grupo B (EGB)

Um fator de risco muito importante para a possibilidade de o recém-nascido evoluir com sepse precoce, além da prematuridade e recém-nascido de muito baixo peso, é a presença de mãe portadora de estreptococo do grupo B (triagem na gestação), sem profilaxia intraparto ou com profilaxia incompleta.

Além disso, cabe recordar as orientações quanto à conduta em relação à prevenção secundária da infecção pelo EGB nos recém-nascidos. Se o neonato tem sinais de sepse neonatal, não há dúvidas de que a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada. Nos casos em que não há sinais de sepse e a mãe apresenta sinais de corioamnionite, também deve ser iniciada a terapia antibiótica.

No entanto, nos casos em que não há sinais de sepse neonatal e a mãe NÃO apresenta sinais de corioamnionite, a conduta inicialmente vai depender se a profilaxia está indicada para a mãe:

  • Se a mãe não tem sinais de corioamnionite e tinha indicação de profilaxia, independentemente se ela foi realizada ou não, o RN deve ser observado por pelo menos 48 horas;
  • Se a mãe não tem sinais de corioamnionite e não tinha indicação de profilaxia, a orientação é somente os cuidados de rotina, ou seja, não tem a obrigatoriedade desta observação de 48 horas se o neonato não tiver outros impedimentos para a alta médica.

Referências Bibliográficas:

Tratado de pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria /[organizadores Dennis Alexander Rabelo Burns... [et al.]]. 4ed. Barueri, SP: Manole, 2017.

Silveira RC, Procianoy RS. Sepse e choque séptico: fisiopatologia, diagnóstico e manejo no recém-nascido. In: Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Sociedade Brasileira de Pediatria; Piva JP. Carvalho WB, organizadores, PROTIPED Programa de Atualização em Terapia Intensiva Pediátrica: Ciclo 11. Porto Alegre: Artemed Panamericana; 2019. P. 53 – 80. (Sistema de Educação Médica Continuada a Distância, v.2).

The challenges of neonatal sepse management. J Pediatr (Rio J). 2020; 96 (S1): 80 – 86. Disponível em: https://jped.elsevier.es/pt-pdf-S2255553619301971. Acesso em 04 jan 2020.

Prof. Sabrina Gois

A Dra. Sabrina é formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, fez Residência Médica em pediatria no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, possui título de especialista em pediatria, pós-graduação em homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia, Título de especialista em homeopatia e é preceptora dos residentes de pediatria do Hospital Infantil Cândido Fontoura em atendimento em Unidade Básica de Saúde.

Postado em
24/2/21
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