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esde janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a síndrome de Burnout uma doença ocupacional. Até então, esta condição era considerada como um “problema na saúde mental e um quadro psiquiátrico”. Agora, ela é definida como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso” e está na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

A alteração aconteceu em conferência da organização em 2019, mas o documento entrou em vigor em janeiro de 2022. Para alterar o documento, a OMS analisa estatísticas e tendências da saúde. Por isso, e para ajudar os pacientes da melhor forma, é muito importante entender a síndrome de Burnout no ambiente de trabalho. A chance de que assuntos que estão em alta, como o Burnout, caia nas provas de Residência Médica é muito grande.

Como a síndrome de Burnout é classificada?

A síndrome de Burnout é um estado de exaustão física e emocional relacionado ao trabalho. Este termo “burnout” foi criado na década de 1970 pelo psicólogo americano Herbert Freudenberger. Dessa forma, ele o usou para descrever as consequências de forte estresse e altos ideais nas profissões como médicos e enfermeiros. Mas, hoje, o Burnout é considerado uma condição que pode afetar qualquer pessoa, com qualquer carreira.

De acordo com a OMS, o Burnout no ambiente de trabalho é caracterizado principalmente por três dimensões:

  • Sensação de esgotamento ou exaustão de energia;
  • Aumento da distância mental do trabalho ou sentimentos de negação relacionados ao trabalho;
  • Eficácia profissional reduzida.

Além disso, o CID-11 afirma que o Burnout se refere especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicado para descrever experiências em outras áreas da vida.

Sintomas e sinais do Burnout

Assim sendo, o esgotamento do trabalho pode afetar a saúde física e mental, levando a quadros de:

  • Estresse excessivo;
  • Fadiga;
  • Insônia;
  • Tristeza;
  • Raiva ou irritabilidade;
  • Uso indevido de álcool;
  • Doença cardíaca;
  • Pressão alta;
  • Imunidade baixa.
  • Abandono de carreira.

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Burnout em residentes médicos

Além de se atualizar para entender e cuidar melhor dos pacientes, é importante avaliar também que a incidência de Burnout entre médicos é alta.

O distúrbio pode afetar o profissional de saúde em todas as fases da carreira. Mas um estudo realizado entre 2010 e 2011 nos Estados Unidos, e publicado na revista Jama Network, mostrou que os riscos de desenvolvimento da síndrome de Burnout são altos também em estudantes de Medicina e médicos na Residência Médica. Este levantamento contou com 3.588 participantes que responderam a dois questionários. No primeiro, os entrevistados estavam no quarto ano da graduação em Medicina. Já no segundo, os participantes estavam no último ano da Residência Médica.

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Os desfechos primários observados foram sintomas de Burnout e arrependimento na escolha da carreira ou da especialidade. De acordo com a pesquisa, manifestações clínicas da síndrome foram reportadas por 1615 médicos residentes que informaram sofrer de um ou mais sintomas semanalmente. Além disso, o estudo demonstrou que as mulheres estão mais expostas ao Burnout.

Portanto, é importante também que você, médico, residente, estudante, cuide da sua saúde mental!

Causas da síndrome de Burnout

A The American Institute of Stress explica que existem diferentes fatores e situações que podem levar ao desenvolvimento de Burnout. De acordo com a instituição, algumas causas comuns são:

  • Baixa remuneração;
  • Carga de trabalho muito pesada e com muitas horas;
  • Não ter controle suficiente sobre as decisões relacionadas ao trabalho;
  • Demandas conflitantes;
  • Expectativas de desempenho pouco claras;
  • Prazos irrealistas;
  • Falta de autonomia;
  • Poucas oportunidades de promoção.

Com a pandemia da Covid-19, muito se falou também da saúde mental e do esgotamento profissional. Diversas pessoas passaram a trabalhar em suas casas, em trabalho remoto, o que não foi fácil. No caso dos médicos, muitos passaram a usar a telemedicina com meio de atender os pacientes. Se dividir entre cuidar da família e trabalhar, além das preocupações com a Covid-19 e o isolamento social, afetou a maioria das pessoas. Desse modo, foi comum trabalhar mais horas do que antes ou ter mais estresses relacionados com o trabalho. E estes são fatores que podem levar ao desenvolvimento de síndrome de Burnout.

Como oferecer o diagnóstico e o tratamento correto aos pacientes

Existem alguns testes diferentes disponíveis para os médicos verificarem se uma pessoa está sofrendo de síndrome de Burnout. Nesse sentido, os testes mais comumente usados são o Maslach Burnout Inventory (MBI), a Job Diagnostic Scale (JDS) e a Utrecht Work Engagement Scale (UWES). Mas, além disso, um psicólogo ou psiquiatra também pode identificar o Burnout durante a terapia.

Após ter o diagnóstico, é hora de fazer uma pausa, mudar de direção e aprender como pode superar o esgotamento profissional. Em geral, a síndrome de Burnout costuma ser tratada com psicoterapia e, dependendo da gravidade e natureza dos sintomas, com medicamentos. Além disso, o profissional de saúde pode sugerir mudanças no estilo de vida e no trabalho, e exercícios para relaxamento.

O importante é saber como orientar melhor o seu paciente e saber explicar como a terapia é um tratamento importante. E, além disso, ter a sensibilidade também de olhar para si mesmo e procurar ajuda profissional quando necessário.

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Como olhar para si mesmo e evitar o Burnout no ambiente de trabalho?

A seguir, confira algumas dicas de medidas e hábitos que podem ajudar na prevenção do Burnout no ambiente de trabalho:

  • Conhecer os seus limites e coloque limites;
  • Saber gerenciar melhor o seu tempo;
  • Estabelecer metas realistas na vida profissional e pessoal;
  • Definir prioridades e rejeite projetos inviáveis ou com alto custo emocional;
  • Delegar funções;
  • Fazer pequenas pausas no trabalho para descansar, respirar, tomar um café, rir e alongar;
  • Fazer atividade física regularmente;
  • Manter contatos sociais;
  • Dormir bem;
  • Fazer meditação;
  • Fazer psicoterapia.

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Postado em
22/2/22
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