Aleitamento Materno: os principais tópicos que caem na prova 

07 de agosto, 2020
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A primeira semana de agosto, no meio médico, é usada para difundir os conhecimentos acerca do aleitamento materno. O leite materno é recomendado como alimento exclusivo para bebês de até 6 meses, com introdução de outros alimentos a partir desta data, continuando o aleitamento até 2 anos ou mais. Diferentemente do que muitos pensam, o leite materno não fica mais fraco depois dos 6 meses, o que muda é a necessidade do bebê, que precisa de mais nutrientes. Neste texto, falaremos sobre pontos que costumam cair nas provas de Residência para te dar uma força a mais nos estudos. Vamos lá?

 

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Impossibilidade do Aleitamento

 

Na impossibilidade do aleitamento materno, recomenda-se a fórmula infantil. A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso de leite de vaca até que a criança complete 1 ano de idade. Porém, o Ministério da Saúde diz que caso a mãe não possa amamentar e não tenha condição de comprar a fórmula infantil, em último caso e como única opção, pode-se usar o leite de vaca diluído em bebes menores de 4 meses e começar a introdução alimentar aos 4 meses. A partir de 4 meses o leite não precisa mais ser diluído, porém ainda não é recomendado. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde o leite de vaca já pode ser introduzido partir dos 9 meses  de idade. Por isso, na hora da prova, atente-se ao enunciado, já que o Ministério da Saúde e a SBP recomendam o leite de vaca de formas diferentes.

 

Diferenças entre leite materno e leite de vaca

 

Este tema cai muito em provas. A Kcal é praticamente a mesma. Uma das grandes diferenças está na quantidade de proteína no leite de vaca, que é bem maior do que no leite materno, com proporção de  3,5% no leite de vaca e 1,5% no leite materno; essa diferença pode acarretar, por exemplo, em sobrecarga renal e, a longo prazo, pode aumenta o risco de obesidade.

Outro ponto é a proporção da proteína caseína, uma das responsáveis pela saciedade. No leite materno, temos 30% de caseína nas proteínas gerais, enquanto no leite de vaca, temos 70%.

O tipo da proteína do soro do leite é diferente, também. No leite materno, nós temos lactalbumina e no leite de vaca temos a beta lactalbumina. Considerando que o leite materno é produzido para humanos e o leite de vaca para bezerros, é interessante pensar que essa beta lactalbumina será interpretada pelo corpo do bebê como um corpo estranho, ativando o sistema imunológico. Então, pode ser que o bebê apresente, ao ingerir leite de vaca, sintomas como diarreia, alergias de pele, dentre outras e, na presença destes sintomas, a principal hipótese será de alergia à proteína do leite de vaca e não intolerância à lactose. Essa é uma pegadinha comum na prova porque o leite materno tem mais lactose do que o leite de vaca. No leite materno, há cerca de 6,5% de lactose e no leite de vaca, 4,5%. Por isso, se ocorre a substituição do leite materno pelo leite de vaca e a criança apresenta alguma reação, é mais provável que seja alergia ao leite de vaca, já que o leite materno possui maior quantidade de lactose e a troca pelo leite de vaca diminuiria a exposição do bebê à lactose. Pode existir intolerância a lactose em um bebê? Sim, porém é raro.

Ainda falando sobre as proteínas, somente no leite materno teremos proteínas de células de defesa que podem aumentar a imunidade, e não podemos deixar de falar sobre o ferro. Não há tanta diferença na quantidade de ferro de um leite para o outro, mas, no leite materno, temos a presença de lactoferrina, que será responsável pela melhor absorção do ferro e, com isso, diminuir as chances de anemia.

 

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Diferença entre colostro e leite maduro

 

Um tema que pode cair em provas, e é preciso entender as diferenças básicas. Colostro: líquido mais viscoso, com mais proteínas, minerais, vitaminas lipossolúveis, fatores de crescimento, células de defesas, entre outros. Por volta de 3 dias a 1 semana depois do parto, vem o leite maduro: tem as mesmas propriedades, mas em menores quantidades.

 

Técnica da amamentação

 

A Técnica nunca muda e é uma questão que sempre cai. O que devemos avaliar: Ponto de posicionamento adequado e pega adequada.

Posicionamento:

Lembre-se de uma mãe amamentando. O rosto do bebê deve estar virado para a mama e o corpo alinhado, também próximo à mãe. A mãe deve apoiar o braço no corpo do bebê.

Pontos da pega adequado:

Boca de peixe (lábio inferior virado para fora), bem aberta e pega a auréola. Quando está pegando só o bico do peito, está errado. O queixo deve tocar a mama para que o nariz não toque na mama e o bebê consiga respirar e, por fim, a auréola deve ser mais visível acima da boca do bebê.

Dica importante: quando temos níveis limítrofes de glicemia, por exemplo, a primeira verificação que se deve fazer é, justamente, o posicionamento e a pega adequada do bebê.

 

Doenças e contraindicação de amamentação

 

No Brasil, há basicamente 3 doenças em que a amamentação é totalmente contraindicada no Brasil, caso a mão esteja infectada. Porém, há outros fatores que podem interferir e podem fazer com que a mãe interrompa a amamentação:

 

HTLV1, HTLV2 e HIV:

Contraindicado amamentação no Brasil.

 

Tuberculose:

Depende. Existem 3 situações:

 

Situação 01: Se o tratamento começou pelo menos 2 semanas antes do parto ou se a mãe for comprovadamente abacilífera, a mãe pode amamentar.

Situação 2: lactante começa a ter sintomas de tuberculose ativa. Durante o período da investigação – quando ainda não temos certeza – a amamentação deve ser suspensa. Porém, como não passa para o leite, tomando as devidas precauções, o leite pode ser ordenhado pela mãe e passado para o bebê por uma outra pessoa. A partir do momento em que a mãe iniciar o tratamento, pode voltar a amamentar, usando máscara e tomando todos os cuidados de higiene recomendados pelos médicos. Após as duas primeiras semanas, pode amamentar normalmente.

Situação 3:  Mãe TBMDR – em um primeiro momento, não pode amamentar até ser comprovado que a mãe esteja abacilífera. Como a mãe é comprovadamente resistente à medicação, deve-se fazer acompanhamento.

 

Mastite por tuberculose:

Mastites bacterianas de forma geral não há contraindicação de amamentação. Porém, quando mastite por tuberculose, a amamentação é contraindicada até a mãe estar curada, pois o bebê não pode ter contato com esta secreção.

 

Hepatites:

Hepatite A: Pode amamentar.

Hepatite B: Pode amamentar se fizer profilaxia no bebê: vacina de hepatite B e de imunoglobulina do nascimento até 12 horas após o nascimento. Lembrando que as aplicações no corpo do bebê das duas vacinas devem ser administradas em locais diferentes.

Hepatite C: Pode amamentar, caso não haja lesão ou sangramento. Embora acredite-se que possa haver passagem do vírus pelo leite materno, não há comprovação de que o vírus disto. Por isso, a decisão final deve ser feita em conjunta entre a mãe e o médico responsável se deve continuar a amamentação.

 

Catapora (Varicela): 

A mãe pode amamentar, exceto quando a manifestação da doença ocorre entre 5 dias antes do parto e 2 dias depois do parto.

 

Candidíase: 

Pode amamentar normalmente. Vale a dica: se a mãe sentir fisgadas durante a amamentação, pode ser sinal de que a mãe e o bebê estejam infectados e precisam ser tratados.

 

Coronavírus

Ainda não há comprovação de transmissão pelo leite materno. Logo, por enquanto, não há contraindicação. Vale sempre verificar a informação antes de fazer a sua prova, já que é uma doença nova.

 

Sífilis: 

Pode amamentar, a não ser que tenha lesão na mama.

 

Citomegalovírus: 

Pode amamentar, a não ser que o RN tenha menos 1,5KG e/ou menor de 30 semanas. Ou seja, o RN precisa cumprir os dois requisitos.

 

Febre amarela: 

A mãe infectada pode amamentar, porém a diretriz recomenda a suspensão de 4 dias no início da doença por precaução. Caso a mãe tenha tomada a vacina de febre amarela, é recomendada a suspensão da amamentação quando o RN tem menos de 6 meses. Caso seja necessário tomar a vacina, deve-se suspender a amamentação por 10 dias. Durante este período, o RN pode receber leite ordenhado antes da vacina. Durante os 10 dias, deve-se ordenhar e descartar o leite. A ordenha é importante para que a mãe mantenha a amamentação posteriormente.

 

Conservação de leite materno ordenhado

 

Em temperatura ambiente: 2 horas de validade. Após, deve ser descartado.

Em geladeira: 12 horas de conservação em temperatura máxima de 5ºC.

Congelado: pode ser conservado por 15 dias, em temperatura de -3ºC.

Pasteurizado em bancos de leite: pode ser armazenamento por 6 meses, com temperatura em -10ºC.

Armazenamento: deve ser feito preferencialmente em recipiente esterilizado de vidro, com tampa plástica.

Descongelamento: deve ser feito em banho maria – e não em temperatura ambiente.

 

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Medicamentos

 

Existem diversas variáveis que irão definir se um medicamento pode ou não interromper uma amamentação e isso deve ser discutido com o médico. Um ponto de atenção: caso a mãe faça uso de medicamentos oncológicos, ela não poderá amamentar de forma alguma.

 

Medicação estimulante

 

A recomendação das organizações é de que não se pode fazer uso de nenhum medicamento que estimule a produção de leite para amamentação.

 

Quer mais?

 

Este conteúdo foi retirado de uma live que aconteceu no nosso instagram, e você pode conferir ela gratuitamente, na íntegra, neste endereço.

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Texto originado do Medcel Talks.

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