Residência Médica: quais são as especialidades de acesso direto?

Por André Massarotti


Um grande desafio de quem faz medicina é decidir o próximo passo na carreira. Em qual área se especializar? Confira aqui as especialidades de acesso direto. 

As diferenças entre Especialização e Residência Médica 

Após concluir a graduação em Medicina, o (a) médico (a) ainda tem um longo caminho para percorrer na área de atuação escolhida. Para esclarecer sobre esse percurso, criamos um infográfico, que mostra a jornada do (a) médico (a), que deseja continuar os estudos, após concluir a graduação: 

 

Uma pequena observação: no infográfico acima, para estudantes que se formam no exterior, não existe somente o EXAME DO REVALIDA como forma de reconhecimento de diploma. As universidades públicas (federal, estadual ou municipal) possuem autonomia para realizar o processo de revalidação de diploma, processo esse que é distinto do REVALIDA, que é do MEC) 

Toda a formação profissional que ocorre depois da graduação é chamada de pós-graduação. Essa pós-graduação pode ser LATO SENSU, no sentido amplo, pode ser pela Residência Médica, ou por um curso de pós-graduação em alguma Universidade. Ou poderá ser do tipo STRICTO SENSU, ou sentido restrito, que são o mestrado e o doutorado. As modalidades STRICTO SENSU são etapas para quem seguirá como docente (mestrado) e/ou pesquisador (doutorado).  

Os programas de pós-graduação LATO SENSU são seguidos para quem deseja se especializar em alguma das opções na carreira médica. Na modalidade Residência Médica, que exige uma dedicação maior (daí o nome residência), o médico recebe uma bolsa do Ministério da Saúde, e, ao final do programa, ele já sai com o título de especialista na área que cursou. Já a opção LATO SENSU conhecida como “pós-graduação” possui uma carga horária menor de dedicação, permitindo que o aluno possa trabalhar e estudar, e, ao final do curso, o aluno terá que fazer uma prova para título de especialista na sociedade à qual a sua pós-graduação está vinculada; por exemplo: se o aluno fez uma pós em Cardiologia, ao final, para que ele tenha o Título de Especialista em Cardiologia, ele terá que fazer uma prova, e ser aprovado, na Sociedade Brasileira de Cardiologia. 

O que é a Residência Médica?

Ao fim da graduação e com o CRM (Registro no Conselho Regional de Medicina) em mãos, o profissional poderá exercer as suas funções como médico generalista em hospitais, clínicas ou quaisquer instituições de saúde. Mas se o(a) médico(a) desejar atuar em uma área específica, ele(a) terá que aprofundar os seus estudos e adquirir uma especialidade médica. Para isso, o caminho mais comum, é a Residência em Medicina. 

O programa tem abrangência em todo o país e é gerenciado pelo MEC (Ministério da Educação), sendo que seu regimento é determinado pela CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica), de 1977.  

Art. 1º A Residência em Medicina constitui modalidade do ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização, caracterizada por treinamento em serviço em regime de dedicação exclusiva, funcionando em Instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. § 1º Os programas de Residência Médica serão desenvolvidos, preferencialmente, em uma das seguintes áreas: – Clínica Médica; – Cirurgia Geral; – Pediatria; – Obstetrícia e Ginecologia; – Medicina Preventiva e Social.  (Decreto nº 80.281) 

A residência médica é muito bem vista pelo mercado de trabalho e, também, concorrida entre os recém-formados, pois essa modalidade de especialização é reconhecida como o padrão ouro na formação do especialista. Em outras palavras, ela é uma modalidade de pós-graduação oferecida pelas grandes instituições de saúde, em que o médico residente terá a oportunidade de vivenciar a área na prática e aprofundar os seus conhecimentos teóricos, sob a supervisão de médicos especialistas altamente capacitados.  

Quais são as especialidades na Residência Médica?

O Presidente da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), no uso de suas atribuições que lhe conferem o Decreto nº 80.281, de 05 de Setembro de 1977, e a Lei nº 6.932, de 07 de julho de 1981, resolve:  

Art. 1º. Os Programas de Residência Médica credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica poderão ser de acesso direto ou com pré-requisito.  

I – Especialidades de Acesso Direto  

As seguintes especialidades não exigem pré-requisitos do candidato à Residência Médica: Acupuntura, Anestesiologia, Cirurgia Geral, Cirurgia da Mão, Clínica Médica, Dermatologia, Genética Médica, Homeopatia, Infectologia, Medicina de Família e Comunidade, Medicina do Tráfego, Medicina do Trabalho, Medicina Esportiva, Medicina Física e Reabilitação, Medicina Legal, Medicina Nuclear, Medicina Preventiva e Social, Neurocirurgia, Neurologia, Obstetrícia e Ginecologia, Oftalmologia, Ortopedia e Traumatologia, Otorrinolaringologia, Patologia, Patologia Clínica / Medicina Laboratorial, Pediatria, Psiquiatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Radioterapia. 

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II – Com pré-requisito  

Tanto especialidades clínicas quanto cirúrgicas podem exigir pré-requisitos* para ingresso. Abaixo listamos as especialidades que exigem do candidato algum pré-requisito para participar do programa de Residência Médica: 

 

Vale lembrar que a comprovação de um pré-requisito será sempre o certificado de conclusão de um programa de Residência Médica credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM. 

Quais são as especialidades médicas mais concorridas?

Além de poder levar em conta a concorrência, entender quantas pessoas disputam por uma vaga pode dar uma visão de como está o mercado e qual especialidade carece mais de profissionais. Por isso, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou uma pesquisa, em março de 2018, chamada de Demografia Médica no Brasil. Nela, conseguimos ter uma visão geral das especialidades mais e menos procuradas, já que ela lista quantos títulos ativos há hoje no Brasil. 

 

Repare que as especialidades de acesso direto mais concorridas são aquelas que são  pré-requisito para um R3 no futuro. Então, muitos médicos preferem ter um título em Clínica Médica ou Cirurgia Geral, por exemplo, que irão abrir portas para outras especializações.  

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Conteúdo produzido em parceria com o Dr. Mauro César Tavares de Souza 

Graduação em Medicina pela Escola de Ciências Médicas de Volta Redonda, Residência Médica em Cirurgia Geral na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Especialista em Cirurgia Torácica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Mestrado em Medicina Geral (Cirurgia Gastroenterológica) pela Universidade Federal Fluminense e Doutorado em Cirurgia Torácica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Cirurgião de Tórax da Santa Casa de São João Del Rei-MG. Diretor Executivo de Medicina do Grupo Educacional AFYA. 

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